quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Turismo atividade economica.



Eduardo Sanovicz, 47 anos, é historiador pela USP. Mestre (2002) e doutor (2007) em Ciências da Comunicação pela USP, com os temas "Modelos de gestão em destinos turísticos" e "Promoção comercial do turismo brasileiro no exterior - o caso da reconstituição da Embratur". Atual CEO da Reed Exhibitions no Brasil, foi presidente da Anhembi Turismo (2001-2003) e Embratur (2003-2006). Venceu os prêmios Caio (2002), Profissional do Ano do Turismo Brasileiro (2006) e IMEX (melhor profissional das Américas 2004/2005).

O turismo é uma atividade bem organizada no Brasil?
Estamos no meio do caminho, em que pese ter ocorrido quase uma revolução nos anos recentes. De uma atividade que há 5 anos gerava US$ 1,8 bi de ingressos, o Brasil passou a receber US$ 4,3 bi com turistas estrangeiros. Isso gerou uma reestruturação em operação de receptivo, hotelaria e serviços. Ainda temos questões pendentes em planejamento (destacadamente em municípios) e, obviamente, transportes.

É possível distinguir o turismo segundo o caráter dos destinos?
É plenamente possível. Os destinos têm ofertas, público e resultados diferenciados. Não é possível, para se ficar em exemplos nacionais, que Santos e Paraty tenham a mesma dinâmica econômica. Enquanto a primeira recebe milhões de pessoas, praticamente o ano inteiro, a segunda recebe dezenas de milhares, em períodos determinados.

A sinalização turística em estradas e pontos estratégicos das cidades não é um imperativo nos dias atuais?
É imperativo e poucas regiões têm a lição de casa feita. A região sul – com destaque para Rio Grande do Sul e Santa Catarina – e certas áreas de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, estão bem sinalizadas. As demais, ou têm programas em andamento (conheço 4 ou 5 bons projetos), ou não andaram nesta área. Um fato a ressaltar é que, ainda que Estados e municípios sejam autônomos para conduzir este tema, todos os projetos são custeados com recursos federais. As unidades regionais não aplicam neste quesito.

Qual seria a melhor forma de combinar escola e turismo?
A melhor forma é criar desde os primeiros anos do ensino fundamental, programas que liguem estudos e viagens. Levar crianças de 7 anos para visitar a Mata Atlântica (consciência sobre preservação, cuidado com lixo, diversidade biológica); levar adolescentes para Brotas (relação entre saúde, exercícios, turismo e preservação ambiental); e depois levar universitários para Lençóis ou Paraty (desenvolvimento sustentado, combate à miséria, arquitetura, história e preservação de memória e patrimônio). Com certeza isto vai gerar uma outra qualidade de formação, e melhor ainda, outro tipo de exercício de cidadania.

Existe potencial significativo para o turismo segmentado em nosso país?
Em 2003 quando a Embratur – já então redirecionada exclusivamente para promoção do Brasil no exterior, como segue até hoje – lançou os programas de promoção segmentados, esperávamos bons resultados, mas os números foram ainda mais satisfatórios. Com os bureaux de promoção de resorts, ecoturismo e aventura, pesca, golf, mais a política de promoção articulada a partir do eixo – qualidade e pluralidade cultural – como fato gerador da formação de imagem do Brasil no exterior, o volume de passageiros estrangeiros cresceu aproximadamente 60% e o ingresso de recursos quase 105%.

A passagem pelo governo mudou sua visão pessoal sobre o turismo?
Muito. Passei a compreender primeiro o Brasil complexo e diferenciado em que vivemos, do ponto de vista econômico, mas principalmente quanto a sua diversidade e pluralidade cultural; e depois, ficou impossível viajar por qualquer canto do planeta e não ter um olhar profissional.

Como é ver o turismo do ponto de vista do governo?
É compreender que turismo é uma possibilidade concreta de desenvolvimento econômico para regiões inteiras do país que seguem excluídas, depois dos ciclos agrícola e industrial.

O mix entre turismo e negócio em São Paulo é algo planejado?
Não. A opção de São Paulo por atuar fortemente no segmento negócios e eventos, é resultado das opções políticas adotadas ao longo da história do Brasil, as quais geraram a partir do final do século 19 uma dinâmica que acaba por definir a cidade como o centro econômico de toda a América Latina. A partir deste fato, foram desenvolvidos ao longo de décadas um conjunto de ofertas para o público gerado como conseqüência desta opção – hotéis de luxo, eventos, gastronomia internacional, lojas de marcas globais, serviços de alta tecnologia e, claro, feiras e eventos.

Um destino turístico é um fato ou algo inventado?
Nunca é um fato dado. Como regra geral, a partir de um conjunto de atrativos naturais e/ou culturais, somam-se ações de planejamento, seguidas de programas de promoção e marketing, e ajustes estruturais. Aí se tem um destino turístico. O Brasil e o planeta estão recheados de exemplos – Bonito, Ouro Preto, Paraty, Cannes, Cancun, etc...

Turismo de massa e sustentabilidade são contraditórios?
Em minha opinião sim. Sustentabilidade pressupõe, entre outras coisas, um estudo e um controle rígido tanto de carga e impacto, como de capacidade de atendimento, de um determinado destino, o que é incompatível com a existência de uma área liberada para visitação sem restrições de utilização e volume de passageiros. Sustentabilidade portanto, significa que o retorno econômico está condicionado pela conjuntura ambiental, e não o contrário.

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