terça-feira, 25 de março de 2008

Euro não vai unificar os preços no continente europeu



Depois de anos de preparativos, o euro finalmente chegou às ruas no dia 1º de janeiro como a nova moeda comum de 12 países europeus. Mas os preços comuns europeus são uma história totalmente diferente.

Numa típica lanchonete McDonald's da Holanda, um Big Mac com batatas fritas e um refrigerante custam 4,02 euros ou cerca de US$ 3,80.

Na Alemanha, o mesmo lanche custa 4,34 euros ou US$ 3,93. Na França, ele custa cerca de 4,08 euros, ou US$ 4,34.

Os preços de produtos farmacêuticos variam mais de 30% entre os países europeus, porque os governos regulamentam os preços e a distribuição de maneiras diferentes.

Os preços de modelos idênticos de automóveis variam até 20% de um país para outro, o suficiente para manter um setor paralelo de especuladores que compram carros baratos na Espanha ou na Itália e os revendem com lucro em outro país incluindo a Alemanha, onde muitos desses carros foram feitos por preços inferiores aos dos revendedores autorizados.

Especialistas da indústria de carros estimam que a variação dos preços de peças de marca para reposição, um negócio lucrativo para os fabricantes, é muitas vezes maior que 30%, oferecendo outra oportunidade para lucros em outras fronteiras.

Na teoria, o euro deverá mudar tudo isso. Quando os líderes políticos europeus delineiam as vantagens de uma moeda única, quase sempre colocam "transparência de preços" e maior concorrência no topo da lista.

Ao tornar os preços facilmente comparáveis entre os países, eles afirmam, o euro obriga as empresas a nivelar as discrepâncias de preços e adotar preços mais competitivos.

O euro já existe como moeda virtual há três anos, desde que 11 países europeus (acompanhados mais tarde pela Grécia) atrelaram o valor de suas moedas nacionais e entregaram suas políticas monetárias para o novo Banco Central Europeu (BCE).



Na maioria dos países os caixas automáticos começaram a distribuir notas de euro em 1º de janeiro, e as antigas moedas deixarão de ser o padrão legal em 28 de fevereiro.

Os bancos centrais nacionais e, em alguns casos, talvez, os lojistas trocarão as antigas notas por euros durante muito tempo ainda. Os preparativos logísticos foram enormes, desde produzir 15 bilhões de notas de euros até reprogramar as máquinas registradoras e de vendas, taxímetros e computadores de empresas.

A maior parte dos preparativos logísticos parece estar no prazo, embora os varejistas estejam enfrentando dificuldades para lidar com duas moedas durante o período de transição.

Dentro da zona euro, todas as transferências entre bancos e transações com valores já são realizadas em euros. O mesmo vale para muitos cartões de créditos e outras transações eletrônicas, e muitos bancos já converteram as contas de seus clientes para euros.

A União Européia já é uma zona de livre comércio de produtos, e os cidadãos de um país têm direitos automáticos de trabalhar e viver em qualquer país membro.

O euro acelerou a integração. Exceto pela Grã-Bretanha, a Dinamarca e a Suécia, que se recusaram a adotar a moeda, todos os outros países da União Européia hoje têm taxas de juros virtualmente idênticas.

A inflação varia, mas as diferenças diminuíram a alguns pontos percentuais entre Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda, Portugal e Espanha.

Com tudo isso, os mercados ainda variam conforme a nacionalidade. O imposto sobre a venda de carros é muito alto em países como a Finlândia, por isso os fabricantes oferecem preços mais baixos para manter sua fatia de mercado.

Além disso, Espanha e Portugal têm níveis menores de afluência e poder aquisitivo do que os países do norte da Europa, e as companhias comercializam seus produtos de acordo com isso.

Acrescente-se a isso as diferenças locais de gosto, de reconhecimento de marca, de custo de imóveis e pagamento de empregados, e os mercados europeus continuam muito diferentes entre si, apesar da moeda comum.



"Somos uma companhia local de serviços, com ênfase no local", disse Guillaume Serey, diretor de projetos de transição para o euro das operações européias da McDonald´s.

"Isso significa custos locais diferentes e concorrência diferente." Quase ninguém viajaria para outro país, mesmo que estivesse a apenas uma hora de carro, para economizar um ou dois euros no almoço.

Mas as diferenças de preços também valem para produtos mais caros, como os eletrônicos. Os carros são uma questão especialmente séria, já que o preço pode variar muitos milhares de dólares.

A Comissão Européia fez campanha durante anos contra as maquinações de preços no setor de automóveis, e impôs multas pesadas à Volkswagen, Mercedes e Opel (subsidiária da General Motors) por obstruir pessoas que compraram carros baratos em um país e tentaram revendê-los em um país mais caro.

Mas, recentemente, no mês de julho, a comissão relatou que as diferenças de preços continuavam grandes.

Na Alemanha, onde estão os maiores fabricantes de carros da Europa, a comissão descobriu que mais da metade dos modelos verificados tinham preços pelo menos 20% maiores que em outros lugares da Europa.

Para carros de preço médio e alta comercialização, como o Volkswagen Golf ou o Opel Astra, a disparidade de preços era superior a 30%.

As diferenças de impostos são um grande motivo para as variações nos preços de carros.

Mas os fabricantes europeus também desfrutam de uma "isenção em bloco" das regras antitruste, que lhes permite montar redes exclusivas de revendedores e lhes dá um grande poder para definir os preços no varejo de carros, peças e serviços.

Assim, mesmo que os "reimportadores" alemães desautorizados costumem oferecer preços 15% a 20% menores que os dos revendedores, sua fatia de mercado permanece abaixo de 10% e cresceu pouco nos últimos três anos.



"As pessoas ainda se interessam pela garantia", disse Gerd Schuler, dono da Carsimplex, um "reimportador" perto de Stuttgart, Alemanha.

A Comissão Européia espera enfraquecer ou mesmo eliminar a isenção antitruste da indústria de carros e fez uma campanha contra as regras que beneficiam especialidades nacionais como chocolate, queijo e bebidas.

Mas as diferenças de preços também refletem profundas diferenças nos gostos e hábitos nacionais. Por exemplo, a cerveja.

Apesar de várias investigações pelas autoridades antitruste da Comissão Européia, que rompeu um círculo de fixação de preços entre cervejarias da Bélgica dois anos atrás, os cervejeiros locais dominam as vendas de cerveja na Bélgica, Alemanha e Holanda.

Na Alemanha, onde dezenas de cervejarias locais dividem o mercado, a cerveja importada representa menos de 3% do consumo total.



De fato, a cerveja mais vendida na Holanda, a Heineken, custa mais ou menos a mesma coisa em Amsterdã que a cerveja mais vendida da Alemanha, Krombacher, em Frankfurt.

Mas a história não termina aí. Em Amsterdã, onde a Heineken é uma cerveja para o mercado de massa, uma garrafa custa cerca de 1,13 euro. Em Frankfurt, onde a Heineken é considerada uma alternativa mais chique às marcas alemãs, é vendida por 2,30 euros.

"The New York Times"
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/2002-euro-valores.shtml Acesso em 18/09/2004.

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